quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Coffee Coaching: Brincando na areia



Brincando na areia

Um menininho brincava no tanque de areia da praça naquela manhã de sábado. Tinha com ele sua caixa de carrinhos e caminhões, seu balde plástico e uma pá vermelha brilhante. No processo de criar estradas e túneis na areia macia, ele descobriu uma pedra grande no meio do tanque de areia.

O mocinho cavou ao redor da pedra, conseguindo desalojar a sujeira. Com muito esforço, usando as mãos, os pés e em todas as posições possíveis, ele conseguiu empurrar a pedra através do tanque de areia. Era um menino muito pequeno e a pedra, para ele, era enorme. Quando o menino alcançou a borda do tanque de areia, ele descobriu que mais difícil ainda ia ser passar a pedra sobre a pequena parede.

Determinado, o menininho empurrou, empurrou e empurrou, mas a cada vez que ele achava ter feito algum progresso, a pedra virava e rolava de volta para o tanque. O menininho grunhiu, lutou, empurrou, mas sua única recompensa era ter a pedra rolando de volta, esmagando seus dedinhos rechonchudos. Finalmente rompeu em lágrimas de frustração.

Durante todo o tempo, seu pai o observava de sua janela, aguardando o desenvolvimento de todo o drama. No momento em que as lágrimas caíram, uma sombra grande caiu sobre o menino. Era seu pai. Suavemente mas com firmeza, ele disse:
- Filho, por quê você não usou toda a força que você tinha disponível?

Derrotado, o menino respondeu:

- Mas eu usei, pai! Usei toda a força que eu tinha!

- Não, meu filho, corrigiu o pai bondosamente. - Você não usou toda a força que você tinha. Você não me pediu ajuda.

- E o pai do menino se abaixou, pegou a pedra e a retirou do tanque de areia.

Soa familiar???


Fonte: Golfinho
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quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Criatividade para Motivar



Criatividade para Motivar

Um famosos general mongol havia conquistado com as suas tropas uma extensa região da Ásia Central. Seus soldados estavam agora exaustos e saudosos do lar, mas o general desejava prosseguir e capturar a grande cidade de Samarkhan, defendida por um exército cinco vezes maior do que o seu. Ele tinha certeza de que poderiam vencer, mas seus homens estavam relutantes.

O general convocou-os então e juntos erigiram um altar, no qual rezaram pedindo inspiração aos deuses. No final da cerimônia, o general tomou uma grande moeda de ouro e disse que iria lançá-la ao ar para ver o que os deuses determinariam. Se caísse com a cara para cima, seria sinal de que os soldados obteriam uma vitória estrondosa.

A moeda caiu com a cara para cima e, inspirados pelos deuses, os soldados avançaram e conquistaram com facilidade a cidade.

Após a batalha, um dos soldados comentou com o general:

- Quando nos mostram que os deuses estão conosco, nada pode alterar nosso destino!

O general concordou com uma risada e mostrou ao soldado a moeda que tinha cara em ambas as faces.

Do livro: Histórias da Alma, Histórias do Coração
Christina Feldman e Jack Kornfield - Editora Pioneira


Fonte: Golfinho
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terça-feira, 20 de outubro de 2009

Coffee Coaching – A árvore dos desejos



A árvore dos desejos

Uma vez um homem estava viajando e, acidentalmente, entrou no Paraíso. No conceito indiano de Paraíso, existe a árvore dos desejos. Você simplesmente senta debaixo dela, deseja qualquer coisa e imediatamente seu desejo é realizado - não há intervalo entre o desejo e sua realização.

O homem estava cansado, e pegou no sono sob a árvore dos desejos. Quando despertou, estava com muita fome, então disse: "Estou com tanta fome, desejaria poder conseguir alguma comida de qualquer lugar."

Imediatamente apareceu comida vinda do nada - simplesmente uma deliciosa comida flutuando no ar. Ele estava tão faminto que não prestou atenção de onde a comida viera. Começou a comer imediatamente e a comida era tão deliciosa... Depois, a fome tendo desaparecido, olhou à sua volta. Agora estava satisfeito. Outro pensamento surgiu em sua mente: "Se ao menos eu conseguisse algo para beber..."

Como não há proibições no Paraíso, imediatamente apareceu um excelente vinho. Bebendo vinho relaxadamente na brisa fresca do lugar, sob a sombra da árvore, começou a pensar: "O que está acontecendo? O que está havendo? Estou sonhando ou existem espíritos ao meu redor zombando comigo?"

E os espíritos apareceram, e eram ferozes, horríveis, nauseantes. Ele começou a tremer e um pensamento surgiu em sua mente: "Agora vou ser assassinado, com certeza!!!!"

Conforme seu desejo, foi o que aconteceu.

Esta é uma antiga parábola e de imenso significado. Sua mente é a arvore dos desejos - o que você pensa mais cedo ou mais tarde se realiza. Às vezes o intervalo é tão grande que você se esquece completamente que, de alguma forma, desejou aquilo; então, não faz ligação com a fonte. Mas se olharmos profundamente, perceberemos que todos os nossos pensamentos, medos e receios estão formando nossas vidas. Eles criam nosso Inferno ou criam nosso Paraíso. Criam nossos tormentos, ou criam nossas alegrias. Eles criam o negativo ou criam o positivo. Todos aqui são mágicos. E todos estão fiando e tecendo um mundo mágico ao seu redor, e aí são apanhados.

A própria aranha é pega em sua própria teia. Ninguém o está torturando a não ser você mesmo. E uma vez que isso seja compreendido, mudanças começam a acontecer. Então você pode dar a volta, pode transformar seu Inferno em Paraíso; é simplesmente uma questão de pintá-lo a partir de um ângulo diferente. Seu Paraíso depende de VOCÊ!!!.


Fonte: Golfinho
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terça-feira, 13 de outubro de 2009

A porta do lado (Drauzio Varella)…

 

Em entrevista dada pelo médico Drauzio Varella, disse ele que a gente tem um nível de exigência absurdo em relação à vida, que queremos que absolutamente tudo dê certo, e que, às vezes, por aborrecimentos mínimos, somos capazes de passar um dia inteiro de cara amarrada. E aí ele deu um exemplo trivial, que acontece todo dia na vida da gente.
É quando um vizinho estaciona o carro muito encostado ao seu na garagem (ou pode ser na vaga do estacionamento do shopping). Em vez de simplesmente entrar pela outra porta, sair com o carro e tratar da sua vida, você bufa, pragueja, esperneia e estraga o que resta do seu dia.

Eu acho que esta história de dois carros alinhados, impedindo a abertura da porta do motorista, é um bom exemplo do que torna a vida de algumas pessoas melhor, e de outras, pior. Tem gente que tem a vida muito parecida com a de seus amigos, mas não entende por que eles parecem ser tão mais felizes. Será que nada dá errado para eles?

Dá aos montes. Só que, para eles, entrar pela porta do lado, uma vez ou outra, não faz a menor diferença. O que não falta neste mundo é gente que se acha o último biscoito do pacote.

Que "audácia" contrariá-los! São aqueles que nunca ouviram falar em saídas de emergência: fincam o pé, compram briga e não deixam barato.

Alguém aí falou em complexo de perseguição? Justamente. O mundo versus eles.

Eu entro muito pela outra porta, e às vezes saio por ela também. É incômodo, tem um freio de mão no meio do caminho, mas é um problema solúvel.

E como esse, a maioria dos nossos problemões podem ser resolvidos assim, rapidinho.

Basta um telefonema, um e-mail, um pedido de desculpas, um deixar barato.

Eu ando deixando de graça, para ser sincero. Vinte e quatro horas têm sido pouco para tudo o que eu tenho que fazer, então não vou perder ainda mais tempo ficando mal-humorado.

Se eu procurar, vou encontrar dezenas de situações irritantes e gente idem, pilhas de pessoas que vão atrasar meu dia.

Então eu uso a "porta do lado" e vou tratar do que é importante de fato.
Eis a chave do mistério, a fórmula da felicidade, o elixir do bom humor, a razão porque parece que tão pouca coisa na vida dos outros dá errado

Pense nisso... E prepare-se para uma nova vida.

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Achei no Dejovu

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Coffee Coaching: A Contratação



A Contratação

Um dia, enquanto caminha pela rua, uma mulher de sucesso, Diretora de Recursos Humanos de uma multinacional, (aquelas que fazem de tudo para vender a imagem de sua empresa aos futuros empregados), é tragicamente atropelada por um caminhão e morre. Sua alma chega ao paraíso e se encontra, na entrada, com São Pedro, em "carne e osso".

- Bem-vinda ao paraíso, diz São Pedro! Mas... Antes que você se acomode, parece que temos um problema. Você vai perceber que é muito raro um diretor de recursos humanos chegar aqui e não estamos seguros do que fazer com você.

- Não tem problema, deixe-me entrar. - Diz ela, já analisando São Pedro dos pés à cabeça e imaginando seu antigo trabalho e se ele fosse um candidato, se ela o contrataria para trabalhar em sua empresa.

- Bem que eu gostaria de deixá-la entrar agora mesmo, mas tenho ordens do Superior. O que faremos é deixá-la passar um dia no inferno e outro no paraíso, e então poderá escolher onde ficar a eternidade.

- Então, já está decidido. Prefiro ficar no paraíso, diz a mulher.

- Sinto muito, mas temos nossas regras, primeiro você precisa conhecer os dois locais.
E, assim, São Pedro acompanha a diretora ao elevador e desce, desce, desce até o inferno.

As portas se abrem e aparece um verde campo de golfe. Mais distante um belo clube. Lá estão todos os seus amigos, colegas diretores que trabalharam com ela e grandes executivos de outras empresas, todos em trajes de festa e muito felizes. Correm para cumprimentá-la, beijam-na e se lembram dos bons tempos. Jogam uma agradável partida de golfe, mais tarde jantam juntos num clube muito bonito e se divertem contando piadas e dançando. O Diabo, então, era um anfitrião de primeira classe, elegante, charmoso, muito educado e divertido.

Ela se sente de tal maneira bem que, antes que se dê conta, já é hora de ir embora. Todos lhe apertam as mãos e se despedem enquanto ela entra no elevador. O elevador sobe, sobe, sobe, e ela se vê novamente na porta do paraíso, onde São Pedro a espera.

- Agora é a hora de visitar o céu.

Assim, nas 24 horas seguintes, a mulher se diverte pulando de nuvem em nuvem, tocando harpa e cantando. É tudo tão bonito e tão sereno, que, quando percebe, as 24 horas se passaram e São Pedro vai buscá-la.

- Então, passou um dia no inferno e outro no paraíso. Agora você deve escolher sua eternidade.

A mulher pensa um pouco e responde:

- Senhor, o paraíso é maravilhoso, mas penso que me senti melhor no inferno, com todos os meus amigos e aquela intensa vida social.

Assim, São Pedro a acompanha até o elevador, que outra vez desce, desce, desce, até o inferno. Quando as portas do elevador se abrem ela depara com um deserto, inóspito, sujo, cheio de desgraças e coisas ruins. Vê todos os seus amigos, vestidos com trapos, trabalhando como escravos, aguilhoados por diabos inferiores, que estão recolhendo as desgraças e colocando-as dentro de bolsas pretas. O diabo se aproxima e conduz a mulher pelo braço, com brutalidade.

- Não entendo - balbucia a mulher. - Ontem eu estava aqui e havia um campo de golfe, um clube, comemos lagosta e caviar, dançamos e nos divertimos muito. Agora tudo o que existe é um deserto cheio de lixo e todos os meus amigos parecem uns miseráveis.

O diabo olha para ela e sorri:

- Ontem estávamos te contratando. Hoje você faz parte da equipe!


Fonte: Golfinho
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quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Divulgação: Feirinha Alternativa na Univille

 

Então galera… reativando o Blog e aproveitando pra divulgar um trabalho que estou acompanhando e que tem tudo pra render muita coisa legal.

Quem tiver de bobeira em Joinville nos dias 7 e 8 de outubro e curtir moda, estilos alternativos, artesanato e afins, faz favor de dar uma passadinha na Unville e confere a feirinha que as gatas Cy e Bárbara estão organizando!

feirinha03

 feirinha01

 feirinha02

Ficadica!

Mais infos aqui

sábado, 19 de setembro de 2009

Coffee Coaching: O Pneu Furado



O Pneu Furado

Olhem o que um professor é capaz de fazer. O fato narrado abaixo é real e aconteceu em um curso de Engenharia da USJT (Univ. São Judas Tadeu), tornando-se logo uma das "lendas" da faculdade...

Na véspera de uma prova, 4 alunos resolveram chutar o balde: iriam viajar. Faltaram a prova e então resolveram dar um "jeitinho".

Voltaram à USJT na terça, sendo que a prova havia ocorrido na segunda.Então dirigiram-se ao professor:

-Professor, fomos viajar, o pneu furou, não conseguimos consertá-lo, tivemos mil problemas, e por conta disso tudo nos atrasamos, mas, gostaríamos de fazer a prova.

O professor, sempre compreensivo:

-Claro, vocês podem fazer a prova hoje a tarde, após o almoço.

-E assim foi feito. Os rapazes correram para casa e se racharam de tanto estudar, na medida do possível. Na hora da prova, o professor colocou cada aluno em uma sala diferente e entregou a prova:

Primeira pergunta, valendo 1 ponto: Cite algo sobre a Lei de Ohm.

Os quatro ficaram contentes pois haviam estudado esse assunto. Pensaram que a prova seria muito fácil e que haviam conseguido se dar bem.

Segunda pergunta, valendo 9 pontos: "Qual pneu furou?"

 

Fonte: Golfinho
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segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Coffee Coaching: Embrulho para presente



Embrulho para presente

Era uma vez um garoto que nasceu com uma doença que não tinha cura. Tinha 17 anos e podia morrer a qualquer momento. Sempre viveu na casa de seus pais, sob o cuidado constante de sua mãe.

Um dia decidiu sair sozinho e, com a permissão da mãe, caminhou pela sua quadra, olhando as vitrines e as pessoas que passavam. Ao passar por uma loja de discos, notou a presença de uma garota, mais ou menos da sua idade, que parecia ser feita de ternura e beleza. Foi amor à primeira vista. Abriu a porta e entrou, sem olhar para mais nada que não a sua amada. Aproximando-se timidamente, chegou ao balcão onde ela estava. Quando o viu, ela deu-lhe um sorriso e perguntou se podia ajudá-lo em alguma coisa.

Era o sorriso mais lindo que ele já havia visto, e a emoção foi tão forte que ele mal conseguiu dizer que queria comprar um CD. Pegou o primeiro que encontrou, sem nem olhar de quem era e disse:

- Esse aqui...

- Quer que eu embrulhe para presente? Perguntou a moça, sorrindo ainda mais. Ele balançou a cabeça para dizer que sim e disse:

- É para mim mesmo, mas eu gostaria que você embrulhasse.

Ela saiu do balcão e voltou, pouco depois com o CD muito bem embalado. Ele pegou o pacote e saiu louco de vontade de ficar por ali, admirando aquela figura divina.

Daquele dia em diante, todas as tardes voltava à loja de discos e comprava um CD qualquer. Todas às vezes a garota deixava o balcão e voltava com um embrulho cada vez mais bem feito, que ele guardava no armário, sem sequer abrir. Ele estava apaixonado, mas tinha medo da reação dela, e assim, por mais que ela sempre o recebesse com um sorriso doce, não tinha coragem de convidá-la para sair e conversar.

Comentou sobre isso com sua mãe e ela o incentivou a chamá-la para sair. Um dia, ele se encheu de coragem e foi para a loja. Como todos os dias comprou outro CD e, como sempre, ela foi embrulhá-lo. Quando ela não estava vendo, escondeu um papel com seu nome e telefone no balcão e saiu da loja correndo.

No dia seguinte o telefone tocou e a mãe do jovem atendeu. Era a garota perguntando por ele. A mãe, desconsolada, nem perguntou quem era, começou a soluçar e disse:

- Então, você não sabe? Faleceu esta manhã.

Mais tarde, a mãe entrou no quarto do filho para olhar suas roupas e ficou muito surpresa com a quantidade de CDs, todos embrulhados. Ficou curiosa e decidiu abrir um deles. Ao fazê-lo, viu cair um pequeno pedaço de papel, onde estava escrito: "Você é muito simpático, não quer me convidar para sair? Eu adoraria..."

Emocionada, a mãe abriu outro CD e dele também caiu um papel que dizia o mesmo, e assim todos quantos ela abria traziam uma mensagem de carinho e a esperança de conhecer o rapaz.

Assim é a vida: não espere demais para dizer a alguém especial aquilo que você sente. Diga-o já, amanhã pode ser muito tarde!


Fonte: Golfinho
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sábado, 22 de agosto de 2009

Frase do Dia

 

"Ser líder é como ser uma dama: se você precisa provar que é, então você não é…" (Margareth Thatcher)

Pense nisso.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Coffee Coaching: O Florentino



O Florentino

Era uma vez um florentino que todas as noites participava de serões e ouvia as pessoas que tinham viajado e visto o mundo conversarem. Ele não tinha nada para contar, pois vivera sempre em Florença, e achava que fazia papel de bobo.

E assim lhe deu vontade de viajar; não teve paz enquanto não vendeu tudo, fez as malas e partiu. Anda que anda, escureceu, e ele pediu pousada para a noite na casa de um pároco. O pároco o convidou para jantar e comendo lhe perguntava o porquê da sua viagem. Ao ouvir que o florentino viajava para depois regressar a Florença e ter algo para contar, disse:

- Várias vezes tive o mesmo desejo; quem sabe, caso não lhe desagrade, não poderíamos ir juntos?

- Imagine – disse o florentino. - Parece mentira encontrar companhia.

E na manhã seguinte partiram juntos, o florentino e o pároco.

A noite, chegaram a uma feitoria. Pediram abrigo e o dono perguntou:

- E por que estão viajando? - Quando soube o motivo, também ele ficou com vontade de viajar e ao amanhecer partiu com eles.

Os três andaram muito juntos, até chegar ao palácio de um gigante.

- Vamos bater – disse o florentino -, assim quando voltarmos para casa teremos historias de um gigante para contar.

O gigante veio abrir pessoalmente e os hospedou.

- Se quiserem ficar comigo – disse depois -, aqui na paróquia me falta um pároco, na feitoria me falta um feitor, e quanto ao florentino, embora não tenha necessidade de florentinos, também para ele se achará um lugar.

Os três conversaram:

- Bem, trabalhando para um gigante, certamente veremos coisas extraordinárias; imaginem quantas coisas poderemos contar depois! - E aceitaram. Ele os levou para dormir e combinaram que no dia seguinte acertariam tudo.

No dia seguinte o gigante disse ao pároco:

- Venha comigo que lhe mostro a papelada da paróquia. - E o conduziu para um aposento.

O florentino, que era um grande curioso e não queria perder a ocasião de ver coisas interessantes, pôs o olho no buraco da fechadura e viu que, enquanto o pároco se inclinava para ver a papelada, o gigante ergueu um sabre, cortou-lhe a cabeça e jogou o corpo e a cabeça num alçapão.

"Esta sim, será uma boa para contar lá em Florença", pensou o florentino. "O problema é que não vão acreditar em mim."

- Já encaminhei o pároco – disse o gigante -, agora vou cuidar do feitor; venha que lhe mostro a papelada da feitoria.

E o feitor, sem suspeitar de nada, seguiu o gigante até aquele aposento.

O florentino, pelo buraco da fechadura, viu-o inclinar-se sobre a papelada e depois o sabre do gigante se abater entre a cabeça e pescoço. A seguir, o decapitado acabou no alçapão.

Já estava se regozijando com tantas coisas extraordinárias que poderia contar na volta, quando percebeu que depois do pároco e do feitor seria a vez dele e que, portanto, não poderia contar absolutamente nada. E lhe veio um grande desejo de fugir, mas o gigante saiu do aposento e lhe disse que antes de tratar dele preferia almoçar. Sentaram-se a mesa, e o florentino não conseguia engolir nem um bocado e estudava um plano para escapar das mãos do gigante.

O gigante não enxergava bem com um dos olhos. Terminada a refeição, o florentino começou a dizer:

- Que pena! O senhor é tão bonito, mas esse olho...

O gigante, ao se sentir observado naquele olho, ficou incomodado e começou a se agitar na cadeira, a bater as pálpebras e a franzir as sobrancelhas.

- Sabe? - disse o florentino -, conheço uma erva que, para as doenças dos olhos, é um remédio infalível. E tenho a impressão de tê-la visto aqui no seu jardim.

- Ah, é? Ah, é? - disse logo o gigante. - Viu aqui mesmo? Então, vamos procurá-la.

E o conduziu ao prado, e o florentino, saindo, observava portas e fechaduras para ter bem claro na cabeça o meio para fugir. Num canteiro, colheu uma erva qualquer: voltaram para casa e a colocou para ferver numa panela de óleo.

- Aviso-o de que vai doer muito – disse ao gigante. - É capaz de resistir a dor sem se mexer?

- Bem, decerto... decerto resisto... - disse o gigante.

- Ouça: será melhor que para mantê-lo parado, o amarre a esta mesa de mármore; caso contrário, começa a se agitar e a operação não dá certo.

O gigante, que fazia questão de ajustar aquele olho, deixou que ele o amarrasse a mesa de mármore. Quando ele ficou amarrado como um salame, o florentino virou a panela de óleo fervente nos seus olhos, cegando-o completamente, e depois fugiu escada abaixo, pensando: "Mais essa para contar!"

Com um berro que fez a casa estremecer, o gigante se levantou e, com a mesa de mármore amarrada as costas, pôs-se a correr atrás dele as apalpadelas. Porém, percebendo que cego como estava jamais o alcançaria, recorreu a um ardil:

- Florentino! - gritou.- Florentino!, por que me abandonou? Não vai terminar a cura? Quanto quer para acabar de me curar? Quer este anel? - E lhe atirou um anel. Era um anel encantado.

- É isso – disse o florentino -, vou levá-lo para Florença e mostrá-lo a quem não acredita em mim!

Mas, assim que o recolheu e o enfiou no dedo, eis que o dedo se transforma em mármore, pesado a ponto de arrastar para o chão a mão, o braço e o corpo inteiro, fazendo-o ficar estendido. Agora o florentino não podia mais se mover, pois não aguentava com o dedo. Tentou tirar o anel do dedo, porém não conseguia. O gigante estava quase em cima dele. Desesperado, o florentino puxou uma faca do bolso e decepou o dedo: assim pode escapar e o gigante não o encontrou mais.

Chegou a Florença com um palmo de língua para fora da boca, e lhe passara não só a vontade de correr mundo, mas também a de contar suas viagens. E, quanto ao dedo, disse que o cortara quando capinava.

Italo Calvino
Fábulas Italianas
Companhia de Bolso


Fonte: Golfinho
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sábado, 15 de agosto de 2009

Improváveis - Cenas Improvaveis

Mais uma apresentação do espetáculo Improvavel - "Cenas Improvaveis" com os Barbixas e participação especial de Allan Benatti


quarta-feira, 12 de agosto de 2009

As Três Peneiras de Sócrates

 

socratesCerto dia um homem foi ao encontro de Sócrates levando ao filósofo uma informação que julgava de seu interesse:

- Quero contar-te uma coisa a respeito de um amigo teu!

- Espera um momento – disse Sócrates – Antes de contar-me, quero saber se fizeste passar essa informação pelas três peneiras?

- Três peneiras? Que queres dizer?

- Vamos peneirar aquilo que quer me dizer. Devemos sempre usar as três peneiras. Se não as conheces, presta bem atenção: A primeira é a peneira da VERDADE. Tens certeza de que isso que queres dizer-me é verdade?

- Bem, foi o que ouvi outros contarem. Não sei exatamente se é verdade.

- A segunda peneira é a da BONDADE. Com certeza, deves ter passado a informação pela peneira da bondade, ou não?

Envergonhado, o homem respondeu:

- Devo confessar que não.

- A terceira peneira é a da UTILIDADE. Pensaste bem se é útil o que vieste falar a respeito do meu amigo?

- Útil? Na verdade, não…

- Então - Disse-lhe o sábio - Se o que queres contar-me não é verdadeiro, nem bom, nem útil, então é melhor que o guardes apenas para ti.

Pense nisso..

(imagem retirada de http://www.historyforkids.org )